Sessenta dias após agressão do jogador do CD Alcains, ao árbitro Tiago Gonçalves, frente ao Pedrogão de S. Pedro, dia 19 de outubro, curiosamente, depois da conferência de imprensa de ontem no “Trigueiros de Aragão”, o conselho de disciplina, conclui o processo disciplinar.
Os conselheiros decidiram punir o atleta, com a pena de seis meses de suspensão (dois já foram cumpridos), mais custas do processo no valor de €62.50.
O jogador do CD Alcains regressa à competição em abril.
Recorde-se que a direção de Ivo Ferreira, aceita a decisão ( o jogador foi inclusivamente castigado pelo próprio clube), mas pede, aos conselheiros da associação de futebol, no futuro, mais celeridade, rigor, verdade desportiva e justiça, no que diz respeito a todos os processos instaurados ao CDA, na presente temporada.
“Quanto ao primeiro processo disciplinar, agressão ao árbitro Tiago Gonçalves, nada temos contra este processo. Contudo o jogador ficou suspenso de imediato. O Léo não é português, não tem habitação própria e depende do CDA para poder ter condições dignas de vida. É trabalhador exemplar e capitão do clube e um episódio negativo não pode deixá-lo dois meses sem saber o que fazer. As testemunhas só foram ouvidas a 25 de novembro. O CDA garantiu e garante a dignidade do Léo. Não o abandonamos. Continua a viver com os nossos jogadores, continua a treinar com os nossos jogadores e continua, também, a ter direito à sua dignidade, alimentação e tudo o resto a que tem direito, tal como os outros jogadores. No futuro, exigimos mais celeridade na resolução destes processos”. Sustenta Ivo Ferreira.
“Com esta conferência de imprensa queremos justificar e demonstrar a insatisfação do clube relativamente ao início de época, que tem sido penoso para a direção e para a equipa. Não pretendemos nomear pessoas, nem nos insurgir contra instituições, ou adversários. Queremos sim, apresentar factos, que comprovem que várias situações não foram geridas da melhor forma e que exigem reflexão e maior rigor. Em menos de cinco meses, desde da tomada de posse desta direção, 12 de julho, o CDA já foi alvo de três processos disciplinares. Consideramos este número excessivo, para uma direção e um presidente, que sempre se pautaram pelo respeito ao desporto, à justiça e à dignidade de todos os intervenientes. Sempre recebemos bem quem nos visita e respeitar os adversários quando jogamos fora, para dignificar o nome do nosso clube em todas as representações externas”. Acrescenta.
O presidente da direção do Alcains, acrescenta que, relativamente a outros dois processos instaurados, ao treinador Ricardo Costa (declarações à comunicação social, no jogo com Pedrogão S. Pedro) e clube, motivado pelos incidentes que se verificaram na partida frente ao Oleiros, dia 02 de novembro passado, respectivamente, que não chegou ao fim (faltava minuto e meio, na compensação, com o CDA a vencer, na altura, por 1-0), não tiveram ainda decisão final da parte do conselho de disciplina da AFCB, na qual o CDA, diz Ivo Ferreira.
“O treinador não ofendeu ninguém, condenou a a atitude do seu jogador e as suas palavras foram construtivas. O próprio relatório do árbitro não escreveu nada sobre qualquer agressão física ou verbal por parte do mister, inclusivamente, no final do jogo, presidente, director desportivo e jogador, fomos ao balneário do árbitro pedir desculpa pelo sucedido aos três árbitros. Gesto que foi aceite e reconhecido pelos próprios árbitros. Ficámos assim surpreendidos com este processo disciplinar levantado ao nosso treinador, com a possibilidade de ser castigado, entre um e um ano de suspensão, mais coima. Consideramos este processo de todo injusto”.
Relativamente ao terceiro processo disciplinar instaurado – incidentes “insultos e agressões” refere o líder do CDA, em Oleiros, jogo que não terminou, “entre dirigentes, adeptos e jogadores, na bancada, onde inclusive, após termos pedido respeito, o presidente do Oleiros tentou agredir um jogador do Alcains. A agressão foi impedida por um agente da GNR. Depois de tudo isto, na semana seguinte, enviamos um email à AFCB, para solicitarmos uma reunião de urgência, com os dirigentes dos dois clubes, equipa de arbitragem e AF Castelo Branco. Não houve resposta a este pedido. Notificação recebida dia 12 de dezembro, dizendo que o CD Alcains poderá perder 3 a 5 pontos, nesta competição, alegando que o jogo não terminou, devido a que os jogadores invadiram a bancada. Esta informação não corresponde à realidade. O jogo foi gravado pelo Oleiros, que já nos cederam a primeira parte do jogo. Falta agora a segunda parte. O CD Alcains tem a certeza que, com as imagens da segunda parte, será possível, ter acesso a todos os factos e demonstrar que os nossos jogadores não invadiram a bancada, nem participaram em confrontos. A direção do CDA defende que este assunto deve ser analisado com rigor, com base em provas concretas e que não se penalize injustamente o clube, por acontecimentos que não lhe podem ser dirigidos”. Afirma Ivo Ferreira.
O dirigente afirma que a sua equipa, a partir de agora, quando jogar em casa, vai actuar sob protesto.
“O Clube Desportivo de Alcains, por tudo isto, informa que irá disputar os próximo os jogos sob protesto, em virtude de todas estas situações já referidas. Este protesto será apenas feito em nossa casa, para que, não exista qualquer interpretação, no que se trata, num gesto contra os nossos adversários. Apesar de todas estas dificuldades, o grupo de trabalho saiu mais unido. Os jogadores sentiram que não são apenas números e que as equipas técnicas compreenderam que estamos aqui para os defender sempre. Não deixamos cair ninguém aqui. Não nos sentimos perseguidos por ninguém, mas, queremos, com isto, garantir que o desporto e a justiça prevaleçam. O nosso agradecimento a todos aqueles que trabalham no clube diariamente, para que o CDA, apesar de ser um clube pequeno, trabalhar como um grande e que, para além disso, continue a ser competitivo, como demonstram as tabelas classificativas dos vários escalões que temos na nossa Academia CDA e equipa sénior. Quanto aos jogos sob protesto, para já iremos perceber que tipo de protesto iremos fazer isto durante o tempo que nós acharmos que deverá ser feito. Provavelmente, até saírem todos os castigos”. Conclui o líder do CD Alcains, no encontro com os jornalistas.
Ivo Ferreira manifesta assim, publicamente, que, para além “de indignação, que jogadores, treinadores, sócios e directores, sejam respeitados, haja justiça, para que o futebol distrital continue a ser um espaço de crescimento, fair-play e dignidade”.













