A direcção e o comando dos bombeiros voluntários do Fundão deixam um apelo à população no sentido de “manter a confiança numa associação quase centenária” e que será “intransigente na protecção da integridade e no respeito absoluto pela vida humana”. Em causa está a detenção esta terça-feira, pela Polícia Judiciária, de 11 elementos do corpo activo pela suspeita de dois crimes de violação e um de coacção sexual nos quarteis do Fundão e da Soalheira.
Neste comunicado conjunto, a direcção e o comando afirmam que assim que tomaram conhecimento dos factos “foi determinada de imediato a abertura dos respectivos processos disciplinares, de forma a averiguar internamente o ocorrido e assegurar o cumprimento rigoroso dos deveres e responsabilidades institucionais”.
Por solicitação da Polícia Judiciária e para evitar “qualquer perturbação no decurso da investigação” foi solicitado à corporação que sustivesse diligências a realizar num eventual processo disciplinar, incluindo eventuais suspensões”. Na sequência das diligências hoje efectuadas, a corporação sublinha que “cessaram os motivos que determinavam a suspensão, podendo agora os processos disciplinares e laborais retomar o seu curso normal”.
A direcção e o comando acrescentam que “desde o primeiro momento foi prestado apoio integral ao bombeiro que apresentou a queixa, ouviram os envolvidos e colaboraram plenamente com as autoridades competentes”, sustentando que “no impacto negativo decorrente da divulgação pública dos acontecimentos, prevaleceu sempre a defesa e a protecção do bombeiro que denunciou a situação”.
Neste comunicado, a corporação reitera a sua confiança “no corpo de bombeiros e no trabalho das autoridades judiciais” e aguarda “com serenidade e sentido de responsabilidade o apuramento completo da matéria em investigação”, sustentando que “caso os factos venham a confirmar-se” esta “é uma situação absolutamente inaceitável” e “terá as consequências disciplinares, laborais e institucionais que se revelem adequadas, incluindo, se tal for necessário a expulsão de elementos do corpo de bombeiros”.
Já quando às declarações prestadas pelo comandante, em que José Sousa afirmou que estava em curso um inquérito interno mas que, nesta fase, não havia motivo para suspender todos os bombeiros envolvidos, este comunicado conjunto esclarece que “da queixa apresentada e dos depoimentos recolhidos até ao momento, resultou claro para o comando que o grau de envolvimento e conhecimento dos vários elementos não é uniforme” pelo que “não existe fundamento para suspender de forma indiscriminada todos os bombeiros mencionados, sob pena de serem aplicadas medidas desproporcionais antes de os factos estarem esclarecidos”.
A direcção e o comando afirmam que “esta avaliação prudente não significa que o processo disciplinar venha a ser leve ou meramente formal”, sublinhando que “à luz do que já é conhecido é expectável que, concluída a investigação interna, existem motivos para aplicar medidas disciplinares gravosas e incluindo, se necessário, a expulsão do corpo activo”.
A terminar este comunicado, a corporação sustenta que não tolera “qualquer crime ou comportamento ofensivo desta natureza” garantindo que vai agir “com firmeza e rigor”, assegurando que “as responsabilidades são correctamente atribuídas”, sublinhando que “por respeito ao processo e aos envolvidos não serão, para já, prestados outros esclarecimentos”.













