A comunidade intermunicipal da Beira Baixa emitiu um parecer desfavorável à concretização da central solar fotovoltaica “Sophia”. O conselho intermunicipal associa-se desta forma ao voto negativo que foi dado pelas autarquias de Idanha-a-Nova e Penamacor; dois dos três concelhos onde está prevista a implantação deste projecto.
Em comunicado, a CIM da Beira Baixa assume “a importância crítica da transição energética” tal como consta da sua estratégia integrada de desenvolvimento territorial “e que já se traduz na existência de muitos aproveitamentos de energia renovável, nomeadamente solar, eólica, hídrica e biomassa que estão instalados no território”.
O organismo considera que “a transição energética deve decorrer de forma equilibrada, com respeito pelo ordenamento do território, pelo ambiente, pela biodiversidade e geodiversidade, pelo potencial produtivo dos espaços agroflorestais e pela qualidade de vida, quer de quem habita como de quem visita o território”.
A apreciação da comunidade intermunicipal da Beira Baixa levou em linha de conta “a significativa e contínua extensão da área que se prevê artificializar, à qual se juntam as áreas de infraestruturas congéneres já instaladas ou em processo de instalação, que resultaria numa incontestável degradação da paisagem, numa séria limitação de outros do solo, designadamente agroflorestais, incluindo a apicultura e a cinegética, e em efeitos não negligenciáveis nas condições climatéricas locais”.
A CIMBB acrescenta que “as consequências nefastas, dada a escala da instalação, sobre outros usos do território, comprometendo o desenvolvimento associado ao turismo e aos modos de produção tradicional e biológico, que dependem da autenticidade e qualidade ambiental, que são elementos reputacionais muito sensíveis” são outro dos motivos apresentados para este parecer negativo.
A terminar o comunicado, a comunidade intermunicipal afirma que “a transição energética responsável, assente na defesa do equilíbrio entre a energia limpa e os demais interesses societais não é dissociável da preservação da biodiversidade, dos valores naturais e das paisagens, da identidade e do potencial produtivo dos territórios rurais que constituem a Beira Baixa, e que são bases fortes do futuro das próximas gerações”.













