José Armando Serra dos Reis considera que o presidente da câmara da Covilhã, o seu chefe de gabinete e os seus assessores “como forças de bloqueio” devem um pedido de desculpas públicas “por tudo quanto não fizeram nem deixaram fazer, ao longo dos últimos 12 anos, para minimizar ou mesmo evitar os efeitos catastróficos dos incêndios”.
Em comunicado, o vereador eleito na autarquia da Covilhã nas listas do Partido Socialista afirma que em 7 dos 12 anos deste executivo, teve o pelouro do gabinete técnico florestal durante 7 anos e o da protecção civil durante 5 e se for questionado porque não foram tomadas algumas medidas refere que “as forças de bloqueio e veto de gaveta nunca deixaram que as propostas apresentadas passassem à fase de execução”.
José Armando Serra dos Reis sublinha que o gabinete técnico florestal recebe anualmente 14 mil euros, sustentando que “há mais de 700 dias” deu indicações para ser preparado um procedimento, “para a aquisição de uma viatura 4×4 e um GPS, de modo a que os técnicos pudessem dar boa execução às múltiplas e variadas obrigações funcionais, muitas delas em serviço externo, como estabilização, florestação, combate a incêndios e inventariação das áreas ardidas. Houve informações e pareceres técnicos favoráveis, despachos superiores de aprovação, mas as forças de bloqueio usaram o veto de gaveta e até hoje não adquiriram a viatura nem os equipamentos. Os técnicos municipais quando precisam desses recursos recorrem a empréstimos. Uma vergonha para a câmara, para o presidente de consciência tranquila e para o seu chefe de gabinete que comandam as forças de bloqueio”.
O vereador eleito nas listas do PS acrescenta que em 2020 foi preparado, em parceria com as equipas de sapadores florestais, um projecto “para a limpeza anual dos terrenos municipais e das faixas de gestão de combustível, da rede secundária. A implementação do projecto custava 400 mil euros por ano, mas as forças de bloqueio argumentaram que era muito caro e meteram o projeto na gaveta. Gastaram muito mais em empreitadas e as faixas estão, genericamente, estão por limpar”.
José Armando Serra dos Reis deixa como outro dos exemplos o apoio de 12 mil euros por ano para o funcionamento das equipas de sapadores florestais “que são fundamentais na silvicultura preventiva, na vigilância, na primeira intervenção e na fase de rescaldo” mas “de imediato as forças de bloqueio encabeçadas pelo presidente e o seu chefe de gabinete criaram obstáculos ao pagamento e anularam o protocolo”.
O vereador sustenta que por várias vezes solicitou que o município “adquirisse uma ou duas máquinas de rasto, mas as mesmas forças do veto de gaveta não permitiram a compra”, considerando que “se as faixas de gestão de combustível na cumeada que delimita a Covilhã de Arganil, Pampilhosa da Serra e Seia, estivesse devidamente aberta, limpa e cuidada, talvez tivéssemos evitado muitos dos incêndios, que daí saltam para o nosso concelho inclusive o de 2025”. Já quanto à rede de depósitos para abastecimento dos meios aéreos “pouco tem evoluído e não se cuidou de instalar um reservatório de grande dimensão junto ao centro de meios aéreos, que reduziria o tempo de carga e descarga de 10 para 2 minutos”.
O autarca considera ainda que a protecção civil municipal “andou muito mal, no modo como lidou com este grande incêndio no concelho. Comunicados alarmistas e erráticos e uma total descoordenação. Nem outro resultado seria de esperar, apontando o dedo a Luís Marques “responsável pela protecção civil, coordenador operacional municipal, comandante dos bombeiros e candidato autárquico”, recorrendo ao adágio popular “quem muitos burros toca, sempre algum lhe fica para trás”, mas também ao chefe de gabinete, Hélio Fazendeiro “que no primeiro dia do incêndio, usurpou e envergou o colete da proteção civil só para se mostrar para as televisões, apercebeu-se do ridículo e do fracasso e saiu de cena”. Já o presidente da câmara “esteve desaparecido, porque andou e anda mais preocupado com Belmonte e como tal, durante o incêndio, e com o plano municipal de emergência ativo, não reuniu a comissão de proteção civil nem teve a funcionar o centro de coordenação municipal como é de lei. O verdadeiro espírito de laxismo e do deixa andar”.
Neste comunicado, José Armando Serra dos Reis expressa um voto de pesar á família de Daniel Agrelo, membro do corpo activo dos bombeiros da Covilhã que perdeu a vida no combate aos incêndios e votos de rápida recuperação a Paulo Abreu que está internado em cuidados intensivos. O vereador eleito pelo PS considera ainda que a partir de Outubro o município “tem de trabalhar arduamente para corrigir as más práticas, implementar um verdadeiro ordenamento florestal, dotar os serviços florestais e a protecção civil de recursos humanos, maquinaria e equipamentos que permitam a defesa da floresta, das pessoas e dos seus bens, 365 dias por ano” sustentando que “as propostas vão sair, definitivamente, da gaveta, onde se encontram fechadas a sete chaves, pelas forças de bloqueio, comandadas pelo chefe de gabinete, Hélio Fazendeiro”.
Contactados pela RCB, Hélio Fazendeiro não quis, para já pronunciar-se em relação ao assunto. Já Luís Marques não tece qualquer comentário sobre a matéria.













