O presidente da câmara municipal da Guarda manifesta, em comunicado, a sua discordância com a classificação atribuída ao serviço de pediatria do hospital daquela cidade e pede a revisão da proposta que actualmente está em processo de consulta pública.
Neste comunicado, a autarquia opõe-se “firmemente à classificação de nível I atribuída ao serviço de pediatria da unidade local de saúde da Guarda” no documento da rede de referenciação hospitalar pediátrica e solicita a sua revisão.
Na pronúncia do município ao documento em consulta pública, enviada à comissão nacional da saúde da mulher, da criança e do adolescente, o presidente da câmara da Guarda manifesta “profunda preocupação e firme oposição à proposta, considerando que ao desclassificar o serviço de pediatria para nível I, um patamar que providencia apenas cuidados pediátricos essenciais, o documento ignora o investimento recentemente realizado, o vigor do seu quadro de pediatras e inverte o princípio da coesão territorial, sinalizando às jovens famílias da maior área de influência da Beira Interior que não vão terão acesso a cuidados diferenciados de proximidade”.
Sérgio Costa acrescenta que este documento “traduz uma visão que ignora as especificidades geo-demográficas, o investimento recente na ULS da Guarda e as necessidades de equidade e segurança na prestação de cuidados de saúde no interior do País” referindo que “a ULS da Guarda é a única instituição pública de saúde em todo o distrito”, que “presta cuidados a cerca de 138 mil pessoas” e ainda que “a maternidade da Guarda é a única que garante o acesso em menos de 60 minutos à população dos 13 concelhos da sua área de influência”.
O presidente da câmara municipal sublinha que “a manutenção do serviço de pediatria de elevada capacidade na Guarda não é uma opção, mas sim um imperativo de segurança e acessibilidade porque não se pode aplicar a esta faixa do território o mesmo modelo de concentração usado em áreas densamente povoadas e com acessos facilitados”, considerando que “a decisão de desclassificar um serviço que acabou de ser alvo de um investimento transformador é economicamente irracional e constitui um claro desperdício de dinheiros públicos”.
Na pronúncia, o município realça que a Guarda tem vindo a aumentar incrementar a oferta de pediatras e o seu quadro de profissionais clínicos está em franca evolução, considerando que a proposta “falha categoricamente em não considerar o investimento de cerca de nove milhões de euros que recentemente foi realizado nas novas instalações do departamento da saúde da criança e da mulher”.
A autarquia da Guarda alerta que “desclassificar o serviço da ULS para nível I e diminuir a sua complexidade assistencial constitui um sinal de desinvestimento que coloca em risco a capacidade de retenção dos jovens médicos que actualmente optam pela região”.
No documento, o município da Guarda reivindica que esta proposta seja revista “de forma a garantir que o serviço de pediatria da ULS, enquanto unidade de referência e servindo a maior área de influência da Beira Interior, seja classificada com o nível II, mantendo a sua capacidade em assegurar resposta diferenciada e abrangente às necessidades da população pediátrica da sua área de influência, em linha com os princípios de equidade, qualidade e segurança do Serviço Nacional de Saúde”.













