O núcleo de estudantes de medicina da faculdade de ciências da saúde da UBI vem, em comunicado, as vantagens e desvantagens de estudar medicina na região. Os alunos afirmam que “os desafios estruturais que persistem e que continuam a ter um impacto significativo no percurso académico, social e económico não podem ser ignorados”.
A existência na Covilhã de um ambiente solidário e acolhedor e um custo de vida mais acessível são elementos determinantes para a estabilidade financeira de quem é estudante deslocado. Este fator “ameniza disparidades económicas e permite uma vivência académica mais equilibrada e menos desigual”, e que é apresentado como uma vantagem.
A direcção do “Medubi” refere que apesar dos aspetos positivos “continuam a existir obstáculos significativos” que colocam os alunos de medicina da Beira Interior “numa posição desigual face às restantes do país”. Uma região que “continua a ser marcada por processos de centralização que reforçam assimetrias históricas entre litoral e interior. Desigualdades que são visíveis na formação médica, onde decisões nacionais sobre logística, mobilidade e avaliações impactam desproporcionalmente quem estuda longe dos principais centros urbanos.
Uma das grandes problemáticas da comunidade estudantil de medicina relaciona-se com o transporte para as atividades em meio clínico “a deslocação para estágios fora da Covilhã representa um custo mensal extraordinário que pode atingir, em média, 40 euros, valor que recai exclusivamente sobre os estudantes e que se soma às despesas inerentes ao ensino superior. A gratuitidade destes transportes não é apenas desejável, é necessária para garantir igualdade de acesso à formação prática que é parte obrigatória do curso”.
Também a centralização, desde 2019 da prova nacional de acesso “afastou a Covilhã da lista de cidades onde esta se realiza, impondo custos adicionais, desconforto psicológico e desigualdades logísticas” aos estudantes da faculdade de ciências da saúde. Um aluno da UB “pode ter de percorrer mais de 400 km, gastar entre 44 e 69 euros e, possivelmente, pernoitar fora da sua cidade num dos momentos mais determinantes do seu futuro profissional. Mais do que uma questão logística, trata-se de justiça e equidade no acesso a condições dignas para esta prova tão relevante no percurso de cada estudante de medicina”.
Em face desta situação, o núcleo questiona se um estudante “vai conseguir colocar o interior como primeira opção, sabendo que muitas vezes tem de recorrer ao litoral nos momentos mais importantes”.
O “MedUBI” afirma que vai continuar a reunir esforços de forma a garantir que “a condição geográfica nunca seja sinónimo de desigualdade, seja no acesso aos estágios ou na realização da prova nacional de acesso”, afirmando que vai continuar a usar a sua voz “para reivindicar equidade, dignidade e justiça para toda a comunidade estudantil de medicina da Beira Interior”.













