O movimento “Estrela Viva” vem exigir aos poderes públicos a implementação de um verdadeiro pacto de regime para a floresta e para todo o interior do país. Um compromisso que “não seja refém de ciclos partidários” e que possa unir o governo, os partidos políticos, autarcas, academia, especialistas e a comunidade, assente numa gestão sustentável e participada do território.
Em comunicado, o movimento, que foi criado na sequência dos fogos de 2017, sustenta que depois dos incêndios desse ano se iniciou “uma reforma na política de prevenção de incêndios florestais e onde várias medidas começaram a ser implementadas,” mas “a memória da tragédia foi-se esvanecendo e esse plano derrapou, tendo o essencial ficado por cumprir”.
Em 2022, as chamas voltaram a consumir cerca de 25 por cento da área protegida no maciço central “como se o sofrimento de 2017 tivesse sido em vão e os relatórios, diagnósticos, planos e promessas não passassem de palavras ocas”. Em 2024 o governo aprovou o programa de revitalização do parque natural da Serra da Estrela com uma dotação de 155 milhões de euros mas “mais uma vez nada passou do papel e em Agosto de 2025, tudo volta a acontecer”.
Os responsáveis do movimento sustentam que o incêndio que deflagrou em Piódão “e durou 11 dias até ser resolvido, deixou uma ferida aberta na região, atingindo sete concelhos e várias aldeias e áreas protegidas: Açor, Estrela e Gardunha. Foi a maior área ardida de sempre em Portugal, desde que há registo, contabilizando-se cerca de 64 mil hectares, triplicando a média anual nacional. Foram destruídas casas, animais, explorações agrícolas e agropecuárias, mas também ecossistemas e geossítios, em particular do Geopark Estrela”, destacando que não é possível estimar a totalidade dos prejuízos sociais e económicos e ambientais.
O movimento “Estrela Viva” afirma que as populações “estão cansadas de assistir à destruição de um território que conhecem profundamente e que tentaram recuperar ao longo dos últimos anos” e de só serem “lembradas nas tragédias e abandonadas durante todo o ano”, assim como “de décadas de desinvestimento, de políticas erráticas, de promessas por cumprir e de continuar a pertencer a um território periférico e descartável”.
Os responsáveis sustentam que as comunidades não podem ser apelidadas de «resilientes», quando, na verdade, são é «sobreviventes», porque resistir ao abandono, à negligência e à tragédia não é uma opção, mas sim uma imposição pela ausência de políticas públicas eficazes.
Para este movimento, o território “não pode continuar a viver entre cinzas e promessas vãs a cada ciclo político, a viver de medidas avulso lançadas todos os verões sob pressão mediática” e exigem que “se olhe para a região com a dignidade que ela merece, que se ouça quem cá vive e que se respeite quem decidiu aqui viver em segurança”.
Para o “Estrela Viva”, o pacto de regime que agora é defendido deve assentar “numa revitalização económica e social centrada em novas formas de aproveitamento da floresta e numa adaptação às alterações climáticas, com medidas robustas e integradas que preparem o território para os fenómenos extremos cada vez mais frequentes”, afirmando que “a Serra da Estrela é natureza, é casa, é memória, é sustento, é vida, é futuro. E esse futuro não pode continuar a arder”.













