O movimento associativo juvenil, composto por 11 associações e federações de estudantes do ensino superior, entre as quais a associação académica da universidade da Beira Interior, exige ao ministro da educação que clarifique as declarações que proferiu na apresentação do novo sistema de acção social para o ensino superior.
Em comunicado, o movimento considera que “é fundamental clarificar o sentido das afirmações proferidas, evitando leituras que possam, ainda que de forma involuntária, estigmatizar os estudantes de menor rendimento que recorrem à acção social escolar”.
A estrutura considera que “a degradação das residências universitárias não resulta da condição socioeconómica dos seus residentes nem do modo como utilizam os espaços, mas sim de um problema estrutural que há muito é conhecido; o subfinanciamento crónico da acção social no ensino superior e a ausência, ao longo de vários anos, de uma estratégia consistente de investimento, manutenção e valorização das infraestruturas”.
Para o movimento “as residências universitárias degradam-se porque não foram cuidadas, requalificadas ou devidamente financiadas e não porque são frequentadas por estudantes economicamente mais vulneráveis”.
A organização refere que recebeu com bons olhos “a proposta de um novo modelo de acção social que promove a equidade de oportunidades, ajustada às diferentes realidades no ensino superior português”, mas manifesta “preocupação” com declarações públicas “que podem ser interpretadas como uma associação entre vulnerabilidade social e degradação de serviços públicos”.
O movimento associativo juvenil afirma que “os estudantes de menores rendimentos não são o problema da acção social escolar” sublinhando que as afirmações de Fernando Alexandre “revelam um desconhecimento da realidade social nas instituições de ensino superior que, só tendo um financiamento adequado, podem garantir modelos de gestão responsáveis e manutenção continua, assumindo as residências como verdadeiros espaços de integração e igualdade de oportunidades no ensino superior”.
A terminar o comunicado, o movimento refere que vai acompanhar “com atenção” o desenvolvimento desta reforma e mostra-se disponível para “um diálogo construtivo, exigente e responsável, sempre em defesa dos reais interesses dos estudantes do ensino superior português e da dignidade da acção social pública”.













