Nem a chuva cancelou os 10 passeios micológicos agendados para os cinco dias do festival, que mobilizaram mais de 350 pessoas. As inscrições esgotaram rapidamente e os passeios realizaram-se mesmo com chuva.
Este ano os passeios micológicos tiveram uma particularidade. A degustação, feita no final de cada passeio, foi uma viagem pela gastronomia típica do país, onde o Chef Filipe Arvelos se inspirou para confeccionar a degustação, onde o cogumelo é rei.
“Dividi Portugal por cinco regiões e peguei naquilo que seria um ingrediente tradicional local como inspiração.”
No primeiro dia do festival, a região Norte esteve em destaque com uma broa de cogumelos. No segundo dia, o Chef, que cozinha 100% à base de plantas, preparou um ensopado de cogumelos à ribatejana. No terceiro dia, inspirado na gastronomia alentejana, Filipe Arvelos brindou os participantes dos passeios micológicos do dia, com migas de espargos com cogumelos à alentejana e pão alentejano.
Este sábado, a viagem é até ao Algarve, “com uma cataplana de cogumelos, e vamos finalizar com as ilhas, Açores e Madeira, com as espetadas de cogumelos em ramos de louro e bolo do caco com manteiga de ervas e boletos.”
É o terceiro ano que participa no Festival como Chef de cozinha, mas foi como visitante que o descobriu “vim cá pela primeira vez como visitante e, logo nessa altura, fiquei apaixonado pela forma como as coisas acontecem aqui na aldeia, a vida que ganha nesta altura do ano e a paixão que toda a gente demonstra pelos cogumelos.”
É a paixão pelos cogumelos que leva Marco Ferraz a participar, também pela terceira vez, nos Míscaros. O micólogo acompanha os passeios e guia as pessoas com o objetivo de saberem identificar os cogumelos e alertar para a importância da floresta como um recurso que “não dá só cogumelos, dá oxigénio, dá madeira, dá castanhas, dá mel”.
Quanto aos cogumelos da Gardunha, são centenas as espécies que existem na serra. “É realmente muita diversidade, mas se cada um sair daqui conhecendo dois ou três bem e um comestível já é interessante. A pessoa pode começar a ir à floresta, apanhar aquele cogumelo, levar um guia de campo para identificar em casa e inicia-se no mundo da micologia, que é um mundo fantástico.”
Os passeios micológicos têm ainda o objetivo de levar as pessoas a serem “cidadãos ativos na proteção e defesa da floresta”, o tema da edição deste ano do Festival.













