A Rewilding Portugal manifesta a sua oposição “firme e fundamentada” ao projeto de instalação da Central Solar Fotovoltaica SOPHIA (CSF Sophia), e às Linhas de Muito Alta Tensão (LMAT) associadas, atualmente em consulta pública.
“Se o preço a pagar é a própria biodiversidade, não lhe chamem energia verde” começa por afirmar a Rewilding Portugal, que refere que a sua posição sobre o projeto Sophia assenta na análise detalhada dos dados oficiais do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e na avaliação dos riscos ecológicos, sociais e territoriais que o projeto representa para o centro interior de Portugal, em particular para os concelhos do Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova, “com impactos significativos e irreversíveis para os ecossistemas locais, para a paisagem, para as
comunidades desta região e para o modelo de desenvolvimento sustentável do território que defendemos”, frisa.
A organização afirma reconhecer a urgência e a importância da transição energética, mas considera
que o projeto em causa “não cumpre critérios mínimos de sustentabilidade territorial, ecológica e social”.
De acordo com a Rewilding Portugal, foram revelados impactos significativos e irreversíveis sobre ecossistemas de elevado valor, sobre a paisagem rural da Gardunha e sobre comunidades que têm vindo a investir na regeneração ecológica e no turismo de natureza.
“As medidas de mitigação e compensação apresentadas são insuficientes e não respondem à escala dos danos previstos e não acreditamos que exista mitigação possível para tamanha destruição e artificialização da paisagem em causa” aponta e acrescenta que “o projeto SOPHIA não representa uma transição energética justa, mas sim um modelo de artificialização do território incompatível com os princípios de conservação, restauro ecológico e coesão territorial”.
A posição da organização privada sem fins lucrativos, sediada na Guarda, desde janeiro de 2019, contra o projeto Sophia assenta em três pilares: biodiversidade, comunidades e visitação:
- BIODIVERSIDADE
A natureza precisa de espaço e conectividade para prosperar e o projeto SOPHIA ignora esse
princípio de forma flagrante, ao implantar uma megaestrutura solar num mosaico de
habitats que funciona como corredor ecológico regional, cortando a continuidade entre
áreas naturais da Gardunha, Raia e Malcata, e criando assim uma barreira física e ecológica
difícil de reverter. - COMUNIDADES
A Rewilding Portugal sublinha que as comunidades locais afetadas por este projeto estão a
ser duplamente penalizadas pela sua interioridade: sofrem o impacto direto desta
instalação e, apesar das promessas genéricas de retorno económico e de mitigação de
impacto, não têm garantido qualquer benefício tangível ou proporcional aos custos
ambientais e sociais que estarão a suportar. A ausência de processos verdadeiramente
participativos para as comunidades, revela uma falta de transparência que não pode ser
aceite em projetos de tamanha dimensão e risco. É inaceitável que a transição energética seja feita à custa dos territórios de menor densidade populacional, destruindo-lhes o maior ativo que ainda existe e perpetuando
assim desigualdades históricas e contrariando o princípio de justiça ambiental que devia imperar. - VISITAÇÃO
A Beira Interior tem vindo a afirmar-se como destino emergente de turismo de natureza e
conservação. A Serra da Gardunha, a ZEC adjacente e o Geopark Naturtejo oferecem uma
combinação única de paisagem, biodiversidade e património cultural. O impacto visual
deste projeto, com intrusão paisagística e reflexos visíveis a grandes distâncias vai impactar
de forma irreversível a perceção de “natureza intacta” que ainda persiste neste território e
que o torna tão atrativo. Este tipo de impacto ameaça diretamente o turismo de natureza, que tem crescido
consistentemente nos últimos anos, assente num modelo de desenvolvimento sustentável
que tem pautado a estratégia recente destes territórios e da qual temos sido promotores,
vendo agora todo o trabalho realizado a ser colocado em causa.
Para a Rewilding, a falta de transparência neste processo é um aspeto grave que já devia sido endereçado
mais cedo. A falta de clareza quanto às origens e intenções do investimento suscita dúvidas
legítimas sobre o seu enquadramento estratégico e ambiental. Uma transição energética
justa exige transparência total: quem ganha, quem perde e como são tomadas as decisões.
“Rejeitar o SOPHIA não significa rejeitar a energia solar. Significa exigir planeamento
responsável, transparência e justiça ecológica”, conclui.
foto: créditos “Marcus Westberg”















