Na Covilhã, uma empresa têxtil está a provar que a roupa em fim de vida pode ganhar uma nova utilidade e, ao mesmo tempo, fazer a diferença na vida de muitas pessoas. A J. Gomes, dedicada à reciclagem de resíduos têxteis, lançou um projeto solidário que transforma peças usadas em cobertores e mantas para apoio social e animal.
A iniciativa, liderada por Catarina Gomes, já resultou na produção de centenas de cobertores e dezenas de pequenas mantas, a partir de cerca de 300 quilos de roupa recolhida em várias instituições do concelho. A recolha é feita em caixas construídas com paletes reaproveitadas, reforçando o compromisso com a sustentabilidade desde o primeiro passo.
Depois de recolhida, a roupa é cuidadosamente preparada. Botões, fechos e outros elementos são retirados para garantir a segurança das máquinas. Segue-se um processo de desfibragem, no qual o tecido é convertido novamente em fibra e fio, matéria-prima essencial para a produção dos novos cobertores.
Os produtos finais destinam-se sobretudo a pessoas em situação de carência económica e a associações de proteção animal. Parte das mantas permanece na região da Covilhã, mas uma grande quantidade é enviada para Lisboa, onde a necessidade é mais evidente.
Para Catarina Gomes, este projeto vai muito além da solidariedade. O objetivo passa também por mudar mentalidades e mostrar que os resíduos têxteis não precisam de terminar em aterro. Cada peça reaproveitada representa menos desperdício e um passo importante na preservação dos recursos naturais.
A iniciativa da J. Gomes é um exemplo de como a indústria pode aliar inovação, responsabilidade ambiental e compromisso social, transformando um problema — o excesso de resíduos têxteis — numa solução com impacto positivo para a comunidade.
De: Fernando Teixeira (RCB)













