Pela terceira vez, na sua história, de quase 103 anos (02 de junho), o clube utilizou o voto secreto para eleger dirigentes. Aconteceu, recorde-se, em 2010 e 2024, com José Mendes e Marco Pêba, respectivamente.
Após demissão de todos os órgãos sociais no início do ano, despoletada por uma reunião realizada com Carlos Casteleiro (“correu bem” disse à RCB), realizou-se ontem à noite, no Auditório Municipal da Covilhã, perante 86 sócios (no início), uma assembleia geral extraordinária, para eleger uma Comissão de Gestão, para gerir os destinos do clube, nos próximos meses.
Lembramos que, inicialmente (para ontem), estava marcada uma AG eleitoral, que ficou sem efeito, a 13 de janeiro passado, um dia antes, curiosamente, do final do prazo de entrega de listas para os novos corpos gerentes (2026-29).
Dito isto, Carlos Casteleiro, candidato único, ex-atleta e presidente da MAG, em 2004, apresentou uma lista composta por vários sócios, que, com ele, vão dirigir o clube serrano, pelo menos até maio/junho de 2026, tendo em linha de conta, três pilares fundamentais.
““A competência destas pessoas é evidente. A independência é fundamental, porque só trabalhamos nessa base. E a credibilidade é essencial, porque só há duas formas de estar na vida: com crédito ou sem crédito”, afirmou.
O novo responsável acrescentou que o grupo “reúne pessoas de vários setores da sociedade, nas quais confia pela experiência e percurso que demonstraram ao longo da vida, onde a comissão administrativa terá como missão assegurar a estabilidade do clube e preparar um processo eleitoral transparente, com os objetivos bem definidos e limitados no tempo”.
E ainda… “queremos garantir o funcionamento regular do Sporting Clube da Covilhã nos próximos meses, fazer um levantamento rigoroso e transparente da situação económica e financeira e, depois disso, preparar e promover eleições, devolvendo aos sócios o direito de decidir”, explicou.
Durante a reunião magna de associados, Carlos Casteleiro, sublinhou, mais do que uma vez, “que o clube necessita de clarificação na sua gestão e nos seus processos”. Disse.
Acrescentando, no final, em declarações aos jornalistas, que conhece a realidade concreta do SCC, por isso, essa será a primeira prioridade da comissão.
“Conhecemos a realidade desportiva — estamos na quarta divisão e queremos estar na terceira. Mas precisamos de conhecer, em detalhe, a situação financeira e a forma como o clube é organizado e gerido”, disse, aluindo ao último lugar que a equipa ocupa na tabela classificativa, na Liga 3 e vai lutar pela manutenção.
Após a marcação das eleições, para o fim da época desportiva 2025-26, o dirigente garantiu aos sócios e comunicação que não será candidato a qualquer órgão social nas futuras eleições.
“Não faz parte das minhas intenções ser candidato a qualquer órgão social deste clube. O nosso papel é preparar o Sporting da Covilhã, em sentido de missão, esclarecer o que é o deve e o haver, e depois serão os sócios a decidir, mas porque não, além da minha comissão de gestão, avançar”, afirmou.
Carlos Casteleiro destacou ainda a ligação histórica e afetiva do clube para com a cidade e região, e deixa um apelo à união.
“Se dermos as mãos, vamos conseguir. Não há milagreiros que resolvam isto sozinhos”, frisou.
Garantiu também que existe ambição, em conseguir a manutenção na Liga 3, numa caminhada que vai começar já no próximo jogo, em Amora, no sábado, onde vai marcar presença, juntamente com os dois novos “homens-fortes” do futebol profissional: José Santos e Sérgio Rebordão.
Além de Carlos Casteleiro, integram a comissão de gestão, Paulo Rosa, Vítor Mota, Carlos Mineiro da Costa, José Santos, Sérgio Rebordão, Luís Canário (ligado ao futebol de formação), Paulo Fonseca, Afonso Andrade, João Carlos Campos, Francisco Rosário Fernandes, Hugo Duarte, Paulo Farias e António Silva, ligados às áreas do futebol, finanças, judicial, infraestruturas e operações, para além, do marketing e parcerias.
O associado Hugo Duarte vai coordenar o dossier da comunicação, relações institucionais e adeptos.
A lista foi aprovada por maioria, por 81 sócios presentes na altura, com 56 votos a favor, 24 contra e 1 voto em branco.
O associado Afonso Gomes (actual provedor do estudante na UBI), também usou da palavra, para agradecer a coragem de Carlos Casteleiro em avançar com a comissão administrativa, desejou-lhe sorte, pediu união a todos os sócios em prol do clube e de quem vai gerir a partir de agora. Falou ainda, em encontrar parcerias com outras instituições da cidade e região, em particular com a UBI, “sózinhos não vamos a lado nenhum”, concluindo que “o leão da serra está ferido, mas não está morto”. Disse.
Na Assembleia Geral, o presidente da Mesa em exercício, João Carlos Campos, também explicou aos sócios, após intervenção, nesse sentido, de António Vicente, que, “após a manifestação de disponibilidade de Carlos Casteleiro para liderar uma solução transitória, os órgãos sociais, que estavam demissionários, decidiram anular a convocatória das eleições, criando condições para a entrada da comissão administrativa e demitiram-se em bloco, inclusivamente, ficou em acta”. Afirmou.
João Campos, que dirigiu os trabalhos de forma muito positiva, aberta ao diálogo e à troca de ideias e argumentos de todos os presentes, com elevação e respeito, sublinhou ainda que “esta fase transitória é fundamental para que, quando forem marcadas eleições, os sócios tenham pleno conhecimento da situação real do clube”. Disse.
A reunião magna de sócios, a título extraordinário, decorreu assim, num clima mais sereno do que a anterior, de 20 de novembro, não deixando, no entanto, de ter alguns momentos de debate mais aceso, mas, com muito fair-play.
A acta da anterior Assembleia Geral (englobava as contas da época passada e a cooptação de Joel Vital como presidente da direção, algo que não foi aceite pelos sócios e por isso, o último ponto foi alterado, nesse sentido, onde apenas, passam a constar os 58 votos contra, sem contagem dos votos a favor e abstenções), foi lida no início da sessão, tendo sido aprovada, por maioria, 9 abstenções e nenhum voto contra.
Este assunto demorou quase uma hora a ser discutido.













