As duas centrais solares fotovoltaicas para a região (Beira e Sophia), a construção da barragem Ocreza/Alvito e o Programa Especial da Albufeira de Castelo do Bode foram os temas em análise na reunião da passada terça-feira, 13 de janeiro de 2026, entre a Ministra do Ambiente e uma delegação da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa.
De acordo com a CIMBB, relativamente às Centrais Solares Fotovoltaicas, os autarcas manifestaram o compromisso com a transição energética, mas consideraram que os projetos em questão têm efeitos bastante nocivos para o território, apontando para a ocupação de solos com grande aptidão para a produção agrícola, efeitos perniciosos para a economia rural e a saúde pública, e impactos na biodiversidade, que podem comprometer a atração e fixação de habitantes.
Da parte do Governo, tanto a Ministra como o Secretário de Estado da Energia sublinharam a importância da transição energética, e consideraram a necessidade de rever os projetos, entendendo que o valor da paisagem e as preocupações das populações devem ser tidas em conta. Os autarcas contrapuseram que a salvaguarda do património natural e a preservação do potencial económico dos territórios rurais não são negociáveis, não estando, portanto, em causa a obtenção de compensações, lê-se na nota divulgada pela Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa.
Um dos municípios presentes, Idanha-a-Nova, também em comunicado enviado aos órgãos de comunicação social, cita declarações da Ministra do Ambiente que afirmou “se as populações e os autarcas estão contra um projeto, não devemos ir contra a sua vontade”, adiantando ainda que será realizado um estudo com vista à identificação de zonas menos sensíveis para a eventual implementação de projetos desta natureza. No entanto, Maria da Graça Carvalho, sublinhou que compete ao Instituto de Conservação da Natureza (ICNF) e à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a análise individual de cada projeto e a decisão sobre a sua viabilidade.
A Presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e Vice-Presidente da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB) voltou a reiterar a posição do Município que passa por desenvolver todas as ações ao seu alcance, dentro do quadro legal, para travar a instalação das mega centrais fotovoltaicas no concelho, atendendo aos possíveis impactos que o projeto poderá provocar no ambiente e na identidade territorial de Idanha- a-Nova. Elza Gonçalves reafirmou, durante a reunião com a Ministra, a sua posição “firme e atenta na proteção do concelho, promovendo um modelo de desenvolvimento sustentável, em prol do nosso património natural e do bem-estar da população”, refere a nota da autarquia idanhense.
Quanto às barragens, a CIM Beira Baixa diz ter deixado o alerta para um problema estrutural na Barragem Marechal Carmona, em Idanha-a-Nova, que o Presidente da APA disse conhecer. A CIM reiterou a defesa da Barragem de Ocreza/Alvito, com Maria da Graça Carvalho a responder que está entre as três prioritárias na Estratégia Nacional de Gestão da Água, estando dependente da nova concessão para produção de energia hidroelétrica no aproveitamento hidroelétrico do Cabril.
Em relação ao Programa Especial da Albufeira de Castelo do Bode, ficou a preocupação dos autarcas face aquilo que afiram ser as desajustadas restrições do documento, apontando que, dentro da natural prevenção ambiental, haja margem para o desenvolvimento da economia local.
Na reunião realizada no Ministério do Ambiente e Energia, em Lisboa, estiveram presentes a Ministra da tutela, Maria da Graça Carvalho, o Secretário de Estado Adjunto e da Energia, Jean Barroca, e o Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado. A Comunidade esteve representada pelos Presidentes de seis Municípios e pelo Primeiro-Secretário Executivo.














